A resposta curta
Para impedir que os alemães orientais continuassem indo embora. Desde 1949, cerca de 2,7 milhões tinham deixado o país, a maioria pela porta aberta de Berlim Ocidental; só em julho de 1961, foram uns trinta mil. Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a RDA cercou Berlim Ocidental com arame farpado; o concreto veio dias depois.
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Um país se esvaziando
Entre 1949 e meados de 1961, cerca de 2,7 milhões de pessoas deixaram a Alemanha Oriental, a República Democrática Alemã (RDA). Muitas eram jovens e qualificadas: médicos, engenheiros, operários especializados, justamente a mão de obra que o novo Estado mais precisava segurar. Só em julho de 1961, uns trinta mil chegaram ao Ocidente. Sair sem autorização era crime, a Republikflucht, a “fuga da república”, e mesmo assim as pessoas iam.
O caminho quase sempre passava por Berlim. Desde 1952, a fronteira entre as duas Alemanhas estava cercada, mas Berlim, administrada pelas quatro potências vencedoras da guerra, continuava aberta. Berlim Ocidental, formada pelos setores americano, britânico e francês, era uma ilha no meio do território da RDA. Bastava pegar o trem urbano, se apresentar num centro de acolhida como o de Marienfelde e embarcar num avião para a Alemanha Ocidental. Além disso, dezenas de milhares de moradores de Berlim Oriental atravessavam todo dia para trabalhar do outro lado.
A noite de 12 para 13 de agosto
Pouco depois da meia-noite do domingo, 13 de agosto de 1961, policiais, soldados e milicianos armados das fábricas começaram a estender arame farpado nas ruas, na linha que separava o setor soviético dos setores ocidentais. Os trens pararam antes da fronteira. Quando o dia clareou, a porta estava fechada, e havia famílias separadas por uma única rua. A operação tinha o codinome Rosa.
Tudo foi preparado em segredo. Dois meses antes, Walter Ulbricht, o líder da RDA, tinha negado em público qualquer plano de construir um muro, e em 1º de agosto Kruschev lhe deu sinal verde: a negativa e a decisão têm uma página própria.
Primeiro veio o arame. Em poucos dias, operários assentaram blocos de concreto ao longo da linha, e o muro alto de placas que todo mundo imagina só apareceu nos anos 1970, como mostra a página sobre o tamanho do Muro.
Como a Alemanha Oriental chamava o Muro
A RDA nunca disse que era um muro para segurar a própria população. O decreto de 12 de agosto de 1961 falava de um controle de fronteira “habitual nas fronteiras de todo Estado soberano”. Logo o nome oficial passou a ser antifaschistischer Schutzwall, a “muralha de proteção antifascista”.
O nome punha o Ocidente no papel de ameaça. Na versão oficial, a barreira protegia o Estado socialista de espiões e sabotadores, de aliciadores ocidentais que levavam embora trabalhadores formados às custas do país e de uma Alemanha Ocidental que a propaganda pintava como governada por ex-nazistas. Dentro da RDA, era a única versão que saía impressa.
Como o Ocidente chamava o Muro
Em Berlim Ocidental, o prefeito Willy Brandt chamou o fechamento de “uma injustiça revoltante” e comparou a barreira ao muro de um campo de concentração. Os alemães ocidentais logo passaram a falar em Schandmauer, o Muro da Vergonha. Os dois lados recorriam ao passado nazista para descrever o mesmo concreto.
Os Aliados ocidentais protestaram e ficaram onde estavam. O arame estava do lado oriental da linha, e as tropas, os direitos e a estrada deles até Berlim Ocidental continuavam intactos.
Como barreira, funcionou. O fluxo de gente por Berlim parou quase da noite para o dia. Mesmo assim, cerca de 5.000 pessoas conseguiram atravessar nos 28 anos seguintes, e pelo menos 140 morreram no Muro, hoje todas identificadas pelo nome.
Fontes
- Decreto do Conselho de Ministros da RDA, 12 de agosto de 1961
- Willy Brandt, declaração sobre o fechamento da fronteira, 13 de agosto de 1961
- Hope M. Harrison, Driving the Soviets up the Wall: Soviet-East German Relations, 1953–1961 (2003)
- Frederick Taylor, The Berlin Wall: A World Divided, 1961–1989 (2006)