A resposta curta
Pelo menos 140 pessoas foram mortas no Muro de Berlim entre 1961 e 1989, segundo a pesquisa de Hans-Hermann Hertle e Maria Nooke para o Memorial do Muro de Berlim. A maioria tentava fugir; algumas nem pensavam em fugir, e oito eram soldados de fronteira da Alemanha Oriental. Cerca de 5.000 pessoas conseguiram atravessar.
Revisado em
De onde vem o número
O número de pelo menos 140 vem de um projeto de pesquisa do Memorial do Muro de Berlim e do Centro de Pesquisa em História Contemporânea de Potsdam, coordenado por Hans-Hermann Hertle e Maria Nooke. Os pesquisadores conferiram cada caso nos documentos que restaram, do Leste e do Oeste, e escreveram uma biografia para cada nome. A lista, revista pela última vez em 2017, vai de 1961 a 1989.
Dos 140, 132 morreram tentando fugir ou foram mortos na zona da fronteira sem nenhuma intenção de fuga. Eram pessoas do Leste e do Oeste, inclusive crianças de Berlim Ocidental que se afogaram em águas da fronteira. Oito eram soldados de fronteira da Alemanha Oriental. Circulam números maiores, de contagens com critérios mais amplos; a lista do Memorial só inclui as mortes que os pesquisadores conseguiram documentar no próprio Muro. No memorial da rua Bernauer, uma Janela da Lembrança guarda os nomes e, quando existem, as fotos dessas pessoas.
Alguns nomes
- Ida Siekmann, 58 anos, em 22 de agosto de 1961, nove dias depois do arame: pulou da janela, na rua Bernauer, em direção à calçada do lado ocidental e morreu dos ferimentos. Foi a primeira morte no Muro.
- Günter Litfin, 24 anos, em 24 de agosto de 1961: o primeiro morto a tiros, quando tentava atravessar a nado o Humboldthafen, uma bacia portuária no centro da cidade.
- Peter Fechter, 18 anos, em 17 de agosto de 1962: baleado perto do Checkpoint Charlie, ficou ao pé do Muro por quase uma hora até morrer. Um memorial marca o local.
- Egon Schultz, 21 anos, soldado de fronteira, em 5 de outubro de 1964, num túnel de fuga: a Alemanha Oriental culpou os ajudantes de fuga, mas os documentos mostraram depois que a bala veio de um companheiro de farda.
- Chris Gueffroy, 20 anos, em 5 de fevereiro de 1989: a última pessoa morta a tiros no Muro, num canal no sul de Berlim. Ele e um amigo tinham ouvido dizer que a ordem de atirar fora suspensa. Não tinha sido.
- Winfried Freudenberg, 32 anos, em 8 de março de 1989: o último nome da lista, morto quando o balão que ele mesmo construiu para fugir caiu.
A ordem de atirar
Em público, a Alemanha Oriental negava que os guardas tivessem ordem de atirar. As atas do próprio governo dizem o contrário. Numa reunião do Conselho de Defesa Nacional, em 3 de maio de 1974, Erich Honecker, então o líder do país, aparece na ata dizendo:
Como antes, as armas de fogo devem ser usadas sem piedade contra as tentativas de romper a fronteira, e os camaradas que usaram suas armas com sucesso devem ser elogiados.
Nem todos os mortos eram fugitivos. Dos oito soldados, um foi baleado por um ajudante de fuga de Berlim Ocidental, em 1962, três por desertores, um morreu agredido por fugitivos, um foi atingido pelo ricochete de um tiro disparado por um policial de Berlim Ocidental, e dois, entre eles Egon Schultz, morreram com tiros de companheiros de farda. Depois da reunificação, a Justiça alemã julgou guardas que atiraram e os dirigentes que deram as ordens. Günter Schabowski, ex-membro do Politburo, foi condenado em 1997 pela participação nas mortes na fronteira. O próprio Honecker foi processado, mas o julgamento foi suspenso em 1993 porque ele estava morrendo de câncer. Morreu no Chile em 1994.
Cerca de 5.000 conseguiram
Diante dessas mortes, houve cerca de 5.000 fugas bem-sucedidas, pela contagem da polícia de Berlim Ocidental. As pessoas passaram por cima com cordas e escadas, atravessaram o Spree a nado, jogaram caminhões contra as barreiras e rastejaram por túneis cavados por ajudantes de fuga. Uma das primeiras fugas famosas foi de um guarda, o salto de Conrad Schumann, e a barreira que todos tinham de vencer está descrita em Qual era o tamanho do Muro de Berlim?
Fontes
- Hans-Hermann Hertle e Maria Nooke, Die Todesopfer an der Berliner Mauer 1961–1989: Ein biographisches Handbuch (Memorial do Muro de Berlim e Centro de Pesquisa em História Contemporânea de Potsdam; lista revista em agosto de 2017)
- Ata da 45ª sessão do Conselho de Defesa Nacional da RDA, 3 de maio de 1974 (Bundesarchiv)
- Memorial do Muro de Berlim (Gedenkstätte Berliner Mauer), rua Bernauer, Berlim