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Quem foi Nabucodonosor?

A resposta curta

Nabucodonosor II foi rei da Babilônia por 43 anos, de 605 a 562 a.C. Derrotou o Egito em Carquemis, tomou Jerusalém em 597 a.C. e, após nova revolta, destruiu a cidade e o Templo de Salomão por volta de 586 a.C., levando milhares de judeus para o exílio. No livro de Daniel, ele sonha, se enfurece e enlouquece.

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O príncipe que venceu o Egito

Nabucodonosor era filho de Nabopolassar, o rei que libertou a Babilônia da Assíria e ajudou a destruir Nínive em 612 a.C. Em 605 a.C., ainda príncipe herdeiro, ele enfrentou o exército do faraó Neco em Carquemis, à beira do Eufrates, na atual fronteira entre a Turquia e a Síria, e o desbaratou (Jeremias 46:2). Logo chegou a notícia da morte do pai. Segundo o sacerdote babilônico Beroso, citado por Flávio Josefo, ele deixou os prisioneiros com os oficiais e cruzou o deserto às pressas para garantir o trono.

Em babilônico, o nome era Nabû-kudurri-uṣur, que quer dizer Nabu, protege o meu herdeiro: uma oração ao deus da escrita. O hebraico de Jeremias e de Ezequiel costuma escrever Nebucadrezar, com r, mais perto do original.

Três acertos de contas com Jerusalém

Judá ficava no caminho entre a Babilônia e o Egito, e os reis de Jerusalém viviam apostando no Egito. Nabucodonosor cobrou a conta três vezes.

  • Por volta de 604 a.C. O rei Jeoaquim se submete e, três anos depois, se rebela (2 Reis 24:1). O livro de Daniel situa nesses anos os primeiros jovens levados como reféns, entre eles Daniel (Daniel 1:1–6).
  • 597 a.C. A Babilônia cerca Jerusalém. O jovem rei Joaquim, de dezoito anos, se rende, e Nabucodonosor esvazia o tesouro do Templo e leva a corte, os soldados e os artesãos. Uma tabuinha da Crônica Babilônica registra a tomada da cidade no dia 2 de adar, em março de 597 a.C., e diz que o rei pôs lá um governante da sua escolha.
  • 586 a.C. Esse governante, Zedequias, também se rebela. Depois de um longo cerco, os muros cedem. Em Ribla, na Síria, Zedequias vê os filhos serem mortos antes de ter os olhos vazados, e o capitão da guarda babilônica queima o Templo (a destruição do Templo).

Ele levou cativa toda a Jerusalém, todos os príncipes e todos os guerreiros valentes, dez mil cativos ao todo, além de todos os artesãos e ferreiros. Ninguém restou, exceto as pessoas mais pobres da terra.

2 Reis 24:14

O rei refém continuou vivo na Babilônia. Tabuinhas de ração achadas no palácio de Nabucodonosor registram azeite para Joaquim, ainda chamado de rei da terra de Judá. E o livro de 2 Reis termina com o filho de Nabucodonosor, Evil-Merodaque, tirando Joaquim da prisão e lhe dando lugar à mesa real (2 Reis 25:27–30).

“Meu servo”, diz Jeremias

Jeremias, que viveu os dois cercos, chama o destruidor de Jerusalém de instrumento de Deus.

Agora eu entreguei todas estas terras nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo.

Jeremias 27:6

Para Jeremias, resistir à Babilônia era resistir a Deus, e por isso ele aconselhou Zedequias a se render (Jeremias 38:17). Em Daniel, o rei é outra coisa: um tirano capaz de aprender. Exige que os sábios adivinhem o próprio sonho dele, joga três rapazes numa fornalha e depois louva o Deus deles. O capítulo 4 vem em forma de carta do próprio rei, contando como perdeu o juízo e o recuperou, um episódio com um mistério só dele.

O construtor da Babilônia

As inscrições dele falam mais de tijolos do que de batalhas. Muitos tijolos da Babilônia trazem o nome dele carimbado. Ele terminou as muralhas duplas da cidade e o Portão de Ishtar, de tijolos esmaltados de azul, com dragões e touros, hoje remontado em Berlim. Beroso fala ainda de um palácio com terraços de árvores, feito para uma rainha que tinha saudade das montanhas da Média: os Jardins Suspensos da lenda grega. Nenhum texto babilônico os descreve, e nenhuma escavação os encontrou.

Nabucodonosor morreu em 562 a.C., depois de uma doença, segundo Beroso, e o filho assumiu o trono. Vinte e três anos depois, a Babilônia já era de Ciro, da Pérsia. O nome dele sobreviveu em lugares curiosos: na ópera Nabucco, de Verdi (1842), cujo coro dos hebreus exilados, “Va, pensiero”, os italianos cantam quase como um hino, e na nave de Morpheus em Matrix.

Fontes

  • 2 Reis 24:1–25:30; Jeremias 27:6; 38:17; 46:2
  • Daniel 1–4
  • Crônica Babilônica (ABC 5), Museu Britânico, sobre Carquemis e Jerusalém, 605–597 a.C.
  • Beroso, citado por Flávio Josefo, Contra Ápion 1.19–20
  • Tabuinhas de ração de Joaquim, da Babilônia, Vorderasiatisches Museum, Berlim
  • Portão de Ishtar, Museu Pergamon, Berlim

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.