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Quem foi o apóstolo André?

A resposta curta

André foi um dos doze apóstolos, irmão de Simão Pedro e pescador de Betsaida, no mar da Galileia. No Evangelho de João, ele era discípulo de João Batista e foi o primeiro a seguir Jesus, e logo correu para buscar o irmão. A tradição diz que morreu crucificado em Patras, na Grécia. É o padroeiro da Escócia.

Revisado em

O primeiro a seguir Jesus

Marcos e Mateus apresentam André na beira do lago, lançando a rede com o irmão, Simão; quando Jesus chama, os dois largam as redes (Marcos 1:16–18). O Evangelho de João começa antes, no rio Jordão, onde André era discípulo de João Batista. Quando o Batista aponta para Jesus e diz “Eis o Cordeiro de Deus!”, dois dos seus discípulos vão atrás dele. Jesus pergunta o que eles procuram, e eles querem saber onde ele está hospedado. “Venham e vejam.” Passam o dia com ele, e o Evangelho guarda até a hora: a décima, umas quatro da tarde.

Um dos dois que ouviram João e seguiram a Jesus era André, irmão de Simão Pedro. Ele primeiro encontrou seu próprio irmão, Simão, e lhe disse: “Achamos o Messias!”

João 1:40–41

O outro discípulo nunca é nomeado. E Pedro, que depois lideraria os doze, chega a Jesus nesse relato porque o irmão foi chamá-lo. Por isso as igrejas ortodoxas chamam André de Protokletos, o Primeiro Chamado.

Um nome grego, de Betsaida

André vem do grego Andreas, formado a partir da palavra que quer dizer homem: viril, corajoso. Não sobrou nenhum nome hebraico ou aramaico dele. João chama Betsaida de “a cidade de André e Pedro” (João 1:44). Ela ficava onde o Jordão entra no lago, já nas terras de Filipe, filho de Herodes, que a elevou a cidade com o nome de Júlias (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.28). Era terra de fronteira, onde a Galileia judaica encostava em regiões de língua grega.

João conta uma cena que combina com isso. Na Páscoa, uns gregos que subiram a Jerusalém querem ver Jesus e procuram Filipe, o outro apóstolo de Betsaida com nome grego. Filipe vai contar a André, e os dois levam o pedido a Jesus (João 12:20–22).

O que sempre leva alguém

André fala pouco, e quando aparece quase sempre está trazendo alguém a Jesus. Primeiro o irmão. Depois, antes da multiplicação dos pães, Filipe calcula que duzentos denários de pão não dariam nem para começar, e é André quem acha um menino com um lanche.

Há um rapaz aqui que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas o que é isso para tantos?

João 6:9

Ele fica ao lado do círculo íntimo sem chegar a fazer parte dele. Só Pedro, Tiago e João sobem o monte da Transfiguração (Marcos 9:2). Mas no monte das Oliveiras, quando os discípulos perguntam em particular quando o Templo vai cair, Marcos cita quatro nomes: “Pedro, Tiago, João e André” (Marcos 13:3). A última vez que o Novo Testamento fala dele é numa lista, a dos onze reunidos no cenáculo (Atos 1:13).

Patras, a cruz em X e Santo André

Daí em diante, é tradição. Eusébio de Cesareia, por volta de 325, repete uma informação de Orígenes: a André coube a Cítia, as terras ao norte do mar Negro (História Eclesiástica 3.1.1). Os Atos de André, um romance cristão do fim do século II ou do século III, o levam pela Grécia e terminam em Patras: o governador Egeates manda amarrá-lo, e não pregá-lo, numa cruz, para que sofra mais tempo, e André saúda a cruz e prega dali para a multidão. A arte posterior deu à cruz a forma de X, a cruz de Santo André.

  • Escócia. Uma lenda medieval diz que relíquias dele foram levadas para a costa de Fife, onde fica a cidade de St Andrews. A cruz branca em X sobre fundo azul é a bandeira escocesa, e o dia dele, 30 de novembro, é a data nacional da Escócia.
  • Patras. Em 1964, o papa Paulo VI devolveu a Patras a relíquia da cabeça de André, guardada em Roma desde o século XV. O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla o considera o seu fundador, como Roma considera Pedro.
  • Brasil. A cidade de Santo André, o A do ABC paulista, herdou o nome da vila de Santo André da Borda do Campo, elevada a vila em 1553.

Fontes

  • João 1:35–44; 6:5–13; 12:20–22
  • Marcos 1:16–18; 3:18; 9:2; 13:3; Atos 1:13
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.28
  • Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica 3.1.1
  • Atos de André (séculos II e III)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.