A resposta curta
Isaías, filho de Amoz, foi profeta em Jerusalém por cerca de quarenta anos, desde o ano da morte do rei Uzias, por volta de 740 a.C., até o cerco assírio de 701 a.C. Aconselhou e repreendeu os reis Acaz e Ezequias, e o livro dele deu ao mundo “espadas em arados”, “Emanuel” e “Consolem, consolem o meu povo”.
Revisado em
Um profeta da capital
O livro já começa com o nome do autor e a época em que ele viveu.
A visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.
O nome hebraico, Yeshayahu, quer dizer “Javé é salvação”. O pai, Amoz, não é o profeta Amós; em hebraico os nomes se escrevem de jeitos diferentes. O Talmude chega a transmitir uma tradição de que Amoz era irmão do rei Amazias, o que faria de Isaías primo de reis (Megillah 10b). Seja como for, ele circula à vontade pelo palácio e pelo Templo. Crônicas diz que foi ele quem escreveu a história do reinado de Uzias (2 Crônicas 26:22).
Era casado com uma mulher que o livro chama de “a profetisa”, e deu aos filhos nomes que eram sermões: Sear-Jasube, “um resto voltará”, e Maer-Salal-Hás-Baz, “rápido para o saque” (7:3; 8:3).
Eis que eu e os filhos que o SENHOR me deu somos por sinais e por maravilhas em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que armou sua tenda no Monte Sião.
Quando Isaías viveu?
Os quarenta anos dele acompanham a ascensão da Assíria.
- Por volta de 740 a.C.: no ano da morte de Uzias, ele vê o Senhor no trono, no Templo, e responde “Eis-me aqui” (Isaías 6).
- Por volta de 734 a.C.: Damasco e Israel marcham contra Jerusalém; Isaías oferece ao rei Acaz o sinal do Emanuel, e Acaz prefere pagar tributo à Assíria (Isaías 7; 2 Reis 16:7–8).
- 722 a.C.: a Assíria toma Samaria, e o reino do norte, Israel, acaba.
- Por volta de 711 a.C.: quando o general de Sargão toma Asdode, Isaías anda “nu e descalço” por três anos como aviso contra confiar no Egito (Isaías 20:1–3). É a única menção de Sargão na Bíblia, e o palácio dele só foi desenterrado em 1843.
- 701 a.C.: Senaqueribe cerca Jerusalém, e Isaías diz a Ezequias que não tenha medo (2 Reis 19:6). É também ele quem leva ao rei doente os quinze anos a mais de vida (2 Reis 20).
Depois de Ezequias, ele some dos registros; a lenda da morte dele no reinado de Manassés está em como Isaías morreu.
Pelo que ele é lembrado
Isaías é um poeta da justiça. Despreza os sacrifícios de quem tem as mãos sujas de sangue e cobra: “Aprendam a fazer o bem. Busquem a justiça. Socorram o oprimido” (1:17). Depois propõe um acordo: “Ainda que os seus pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (1:18). A frase mais famosa dele sonha com um mundo sem guerra: as nações “forjarão suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em foices” (2:4). Uma estátua dessa cena, presente da União Soviética em 1959, fica na sede da ONU, em Nova York.
Os cristãos o conhecem sobretudo por textos que leem como anúncios de Jesus: a virgem que dará à luz Emanuel, “Deus conosco” (7:14), nome que tantos brasileiros dão aos filhos, e o servo que “foi traspassado por nossas transgressões” (53:5). Os leitores judeus veem no primeiro uma criança da época de Acaz e no segundo o próprio Israel. Em Lucas, Jesus começa o ministério lendo o rolo de Isaías na sinagoga de Nazaré (Lucas 4:17–19), e nenhum profeta é tão citado no Novo Testamento.
Um Isaías ou vários?
A partir do capítulo 40, o livro fala com exilados na Babilônia, por volta de 540 a.C., e cita pelo nome o rei persa Ciro (quem foi Ciro). Por isso a maioria dos estudiosos atribui os capítulos 40 a 66 a profetas posteriores da escola de Isaías, chamados de Segundo e Terceiro Isaías. Os leitores tradicionais acreditam que Isaías previu tudo. A cópia completa mais antiga, o Grande Rolo de Isaías de Qumran, feita por volta de 125 a.C., já traz os 66 capítulos como um livro só.
Fontes
- Isaías 1:1, 17–18; 2:4; 6:1–13; 7:1–17; 8:1–18; 20:1–6; 40:1; 44:28–45:1; 53:5
- 2 Reis 18–20; 2 Crônicas 26:22; 32:32; Lucas 4:16–21
- Talmude Babilônico, Megillah 10b
- Grande Rolo de Isaías (1QIsaᵃ), Santuário do Livro, Museu de Israel, Jerusalém
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.