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Quem foi Tancredo Neves?

A resposta curta

Tancredo Neves foi o político mineiro que o Colégio Eleitoral escolheu presidente em 15 de janeiro de 1985, por 480 votos a 180, no fim da ditadura militar. Advogado de São João del-Rei, tinha sido ministro da Justiça de Getúlio e primeiro-ministro em 1961. Internado na véspera da posse, morreu em 21 de abril, sem governar um dia.

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Um advogado de São João del-Rei

Tancredo de Almeida Neves nasceu em 4 de março de 1910, em São João del-Rei, no Campo das Vertentes mineiro. Formou-se advogado e foi promotor na cidade. A carreira política, que mal tinha começado, parou em 1937 com o Estado Novo, e só recomeçou em 1945, com a volta das eleições.

Chegou ao governo federal com Getúlio Vargas. Em 1954, era o ministro da Justiça dos últimos meses daquele governo. Sete anos depois, estava no meio de outra crise. Jânio Quadros renunciou em agosto de 1961, os ministros militares tentaram impedir a posse do vice, João Goulart, e o Congresso adotou às pressas o parlamentarismo para Jango assumir com poderes reduzidos. O primeiro-ministro escolhido foi Tancredo.

Depois do golpe de 1964, ficou na oposição, no MDB. Em 1982, quando o país voltou a eleger governadores pelo voto direto, a oposição venceu em Minas, e Tancredo assumiu o governo do estado em 1983.

No palanque, sem fechar a porta

Em 1984, subiu nos palanques das Diretas Já. Discreto, aos 74 anos, entre adversários de sempre. Mas nunca fechou o outro caminho: o Colégio Eleitoral, formado por deputados, senadores e delegados das assembleias estaduais, que fazia a eleição indireta para presidente. Quando a emenda Dante de Oliveira caiu, em 25 de abril de 1984, faltando 22 votos, esse caminho era ele. Começou a fazer contas.

A conta que fechou

Para vencer no Colégio, precisava de votos do próprio partido do governo, o PDS. O PDS rachou na escolha do candidato, que acabou sendo Paulo Maluf. Os dissidentes formaram a Frente Liberal e se aliaram ao PMDB de Tancredo. O vice saiu desse grupo: José Sarney, ex-presidente do PDS. O PT se recusou a votar.

Em 15 de janeiro de 1985, no plenário do Congresso, os 686 membros do Colégio votaram um a um, em voz alta. Do lado de fora, uma multidão esperava. Tancredo teve 480 votos; Maluf, 180. Houve 17 abstenções e 9 ausências. Depois de cinco generais, o Colégio escolhia um civil, e um civil que tinha subido no palanque das diretas.

Eleito e não empossado

Não chegou a governar. Internado a doze horas da posse, foi operado sete vezes e morreu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos. A doença e o segredo que a cercou estão em Do que morreu Tancredo Neves?. Um ano depois, uma lei decidiu o que fazer com o nome dele.

O cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais.

Lei nº 7.465, de 21 de abril de 1986, artigo 1º

A lei saiu no primeiro aniversário da morte. Por isso ele figura na galeria dos presidentes sem ter governado um dia. Como o regime saiu de cena naquele março está em Como acabou a ditadura militar?.

Fontes

  • Lei nº 7.465, de 21 de abril de 1986 (Tancredo Neves na galeria dos presidentes, “eleito e não empossado”)
  • Senado Federal, Arquivo S: a votação do Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985
  • Governo de Minas Gerais, “Tancredo de Almeida Neves”, galeria dos governadores
  • CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, verbete “Tancredo Neves”
  • Boris Fausto, História do Brasil (1994)