A resposta curta
Foram cinco generais, todos escolhidos pelos próprios militares: Castelo Branco (1964–1967), Costa e Silva (1967–1969), Emílio Garrastazu Médici (1969–1974), Ernesto Geisel (1974–1979) e João Figueiredo (1979–1985). Em 1969, quando Costa e Silva adoeceu, uma junta de três ministros militares governou por dois meses e impediu o vice civil de assumir.
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Como eram escolhidos
Depois do golpe de 1964, o brasileiro passou 21 anos sem votar para presidente. O nome era decidido dentro das Forças Armadas e depois confirmado pelo voto indireto, primeiro no Congresso, depois no Colégio Eleitoral. Todos eram generais do Exército. Como funcionava o regime está em O que foi a ditadura militar no Brasil?. Aqui, quem ocupou a cadeira.
Os cinco, em ordem
- Castelo Branco (1964–1967). Cearense, foi o oficial de operações da Força Expedicionária Brasileira na Itália, em 1944 e 1945. Chefe do Estado-Maior do Exército, coordenou a conspiração contra Jango. Foi eleito pelo Congresso em 11 de abril de 1964, com 361 votos, um deles de Juscelino Kubitschek, que ele cassaria em junho. Prometia sair em janeiro de 1966, mas assinou o AI-2, que acabou com os partidos e com a eleição direta para presidente. Morreu em julho de 1967, meses depois de deixar o cargo, quando um jato da FAB atingiu o avião em que viajava, perto de Fortaleza.
- Costa e Silva (1967–1969). Ministro da Guerra de Castelo e candidato da linha dura, assumiu em março de 1967. Em 13 de dezembro de 1968, baixou o AI-5, que lhe permitia fechar o Congresso e suspendia o habeas corpus para crimes políticos. Em 1969, adoeceu. No lugar do vice civil, Pedro Aleixo, o único que tinha votado contra o AI-5, assumiu uma junta com os ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
- Emílio Garrastazu Médici (1969–1974). Gaúcho de Bagé, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações, o SNI, foi escolhido pelos militares em outubro de 1969. No governo dele, o país viveu o milagre econômico, com 14% de crescimento em 1973, e o tri no México, e também os anos mais duros da repressão, com a censura e os DOI-Codi. Atribuem a ele a frase “A economia vai bem, mas o povo vai mal”.
- Ernesto Geisel (1974–1979). Filho de imigrantes alemães, luterano, nascido em Bento Gonçalves, presidiu a Petrobras antes de tomar posse, em 15 de março de 1974, com a promessa de uma distensão “lenta, gradual e segura”. Fechou o Congresso por duas semanas em 1977, mas demitiu o comandante do Segundo Exército depois da morte do operário Manoel Fiel Filho no DOI-Codi, em 1976, e revogou o AI-5. Um memorando da CIA de abril de 1974, divulgado pelo governo americano e revelado em 2018, relata que ele autorizou a continuação de execuções de opositores considerados perigosos.
- João Figueiredo (1979–1985). Ex-chefe do SNI, escolhido por Geisel como sucessor, assinou a Lei da Anistia, de 28 de agosto de 1979, e governou durante a volta dos exilados, as greves do ABC paulista e as Diretas Já. Em 15 de março de 1985, recusou-se a passar a faixa ao vice José Sarney, o civil que assumia no lugar de Tancredo Neves, e deixou o Planalto pela porta dos fundos.
Onde você já viu esses nomes
Os nomes ficaram no mapa. A ponte Rio-Niterói, inaugurada em 1974, se chama oficialmente Ponte Presidente Costa e Silva. A rodovia Castelo Branco sai da capital paulista rumo ao oeste do estado. O milagre econômico daqueles anos e o fim do regime têm páginas próprias.
Fontes
- Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965
- Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968
- Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia)
- Memorando da CIA de abril de 1974 sobre Geisel, publicado em Foreign Relations of the United States (Departamento de Estado dos EUA)
- Elio Gaspari, A ditadura derrotada (2003)
- Boris Fausto, História do Brasil (1994)