A resposta curta
Em 27 de janeiro de 1967, num teste de rotina na plataforma, em Cabo Kennedy, um incêndio começou dentro do primeiro módulo de comando Apollo. A cabine estava cheia de oxigênio puro, a escotilha abria para dentro, e os três tripulantes, Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee, morreram antes que alguém chegasse até eles. A NASA refez a nave.
Revisado em
Um teste em solo
A missão, então chamada AS-204, seria o primeiro voo tripulado da Apollo, um teste em órbita da Terra previsto para fevereiro de 1967. Em 27 de janeiro, a tripulação ensaiava a contagem regressiva dentro do módulo de comando, no alto de um foguete Saturno IB sem combustível, na Plataforma 34, com a nave funcionando com energia própria. Nada ali deveria ser perigoso.
Os três eram experientes. Gus Grissom tinha sido o segundo americano no espaço, em 1961, e comandado a Gemini 3. Ed White tinha feito a primeira caminhada espacial americana, em junho de 1965. Roger Chaffee, de 31 anos, piloto da Marinha, se preparava para o primeiro voo. O teste já se arrastava havia horas, atrasado por falhas nas comunicações. Às 18:31, um incêndio começou perto do chão da cabine. A escotilha abria para dentro, e a pressão interna a mantinha fechada. Os três morreram antes que a equipe da plataforma conseguisse abri-la.
O que a investigação encontrou
A Comissão de Investigação da Apollo 204, presidida por Floyd Thompson, diretor do Centro de Pesquisa Langley, apresentou o relatório em abril de 1967. Não apontou uma causa única, e sim uma soma de condições:
- O ar: oxigênio puro, a uma pressão um pouco acima da do nível do mar, em que materiais que só soltariam fumaça no ar comum queimam depressa.
- O combustível: materiais inflamáveis dentro da cabine, como redes de náilon e velcro.
- A faísca: muito provavelmente um arco elétrico numa fiação danificada.
- A escotilha: um projeto que abria para dentro e levava bem mais de um minuto para abrir, mesmo nos treinos.
A correção
A NASA refez o módulo de comando. A nova escotilha abria para fora, em segundos. Os materiais inflamáveis foram trocados por outros resistentes ao fogo, a fiação ganhou proteção e, na plataforma, a cabine passou a ter uma mistura de 60% de oxigênio e 40% de nitrogênio em vez de oxigênio puro. A pedido das viúvas, a missão foi rebatizada de Apollo 1. Nenhuma Apollo levou tripulação por vinte meses, até a Apollo 7, em 11 de outubro de 1968. Dois meses depois, a Apollo 8 orbitava a Lua.
As perdas de Moscou
O programa soviético também enterrava os seus. O Projetista-Chefe, Serguei Koroliov, tinha morrido depois de uma cirurgia, em janeiro de 1966. Em 24 de abril de 1967, o paraquedas da Soyuz 1 falhou na volta, e Vladimir Komarov se tornou a primeira pessoa a morrer durante um voo espacial. Iúri Gagarin tinha sido o reserva dele. E, em 1986, a imprensa soviética revelou uma morte guardada em segredo por 25 anos: em 23 de março de 1961, um jovem cosmonauta em treinamento, Valentin Bondarenko, morreu depois de um incêndio numa câmara de testes rica em oxigênio.
Como eles são lembrados
Grissom e Chaffee estão enterrados no Cemitério Nacional de Arlington; White, em West Point. A Plataforma 34 hoje está vazia, só com o pedestal de concreto, e uma placa diz: “Ad astra per aspera. Um caminho áspero leva às estrelas.” Em julho de 1969, a tripulação da Apollo 11 deixou na Lua um emblema da Apollo 1, junto com medalhas soviéticas em homenagem a Gagarin e Komarov, na mesma caminhada que começou com a frase de Armstrong. Todo ano, no fim de janeiro, perto do aniversário do incêndio, a NASA homenageia os astronautas que perdeu.
Fontes
- Report of the Apollo 204 Review Board (NASA, 5 de abril de 1967)
- NASA History, The Apollo 1 Tragedy
- Asif Siddiqi, Challenge to Apollo: The Soviet Union and the Space Race, 1945–1974 (NASA, 2000)