A resposta curta
Zeus é Júpiter, Hera é Juno, Poseidon é Netuno, Hades é Plutão e Cronos é Saturno. Afrodite é Vênus, Atena é Minerva, Hermes é Mercúrio, Ares é Marte, Ártemis é Diana, Hefesto é Vulcano, Deméter é Ceres, Héstia é Vesta e Dioniso é Baco. Apolo mantém o nome. Os planetas levam os nomes romanos.
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A lista
- Zeus, Júpiter. Rei dos deuses, senhor do céu e do trovão. O maior planeta.
- Hera, Juno. Rainha dos deuses, esposa e irmã de Zeus. Um asteroide, descoberto em 1804.
- Poseidon, Netuno. O mar e os terremotos. O oitavo planeta.
- Hades, Plutão. Os mortos e o mundo subterrâneo. Plutão vem de Plouton, o rico, um título grego de Hades. Um planeta anão.
- Cronos, Saturno. O Titã, pai de Zeus. O planeta dos anéis.
- Afrodite, Vênus. O amor e a beleza. O planeta mais brilhante do céu noturno, a estrela-d’alva.
- Atena, Minerva. A sabedoria, os ofícios e a estratégia na guerra.
- Hermes, Mercúrio. O mensageiro. O planeta mais perto do Sol, e o mais rápido.
- Ares, Marte. A guerra. O planeta vermelho.
- Ártemis, Diana. A caça e os lugares selvagens.
- Hefesto, Vulcano. O fogo e a forja, daí a palavra vulcão.
- Deméter, Ceres. Os grãos e a colheita, daí cereal.
- Héstia, Vesta. O fogo da lareira, cuidado em Roma pelas vestais.
- Dioniso, Baco. O vinho e o teatro.
- Apolo, Apolo. Roma o adotou com o nome grego.
Os mesmos deuses, com outros nomes
Roma tinha deuses próprios antes de conhecer os mitos gregos. Júpiter é até a mesma palavra antiga que Zeus: os dois vêm de um nome do pai-céu, Zeus patēr em grego, Iuppiter em latim. Outros eram divindades italianas que os romanos associaram ao deus grego mais parecido: Marte, pai de Rômulo; Saturno, um deus da semeadura; Ceres, dos grãos. Com os séculos, os pares se fixaram, e as histórias gregas chegaram aos leitores romanos já com nomes romanos. Ovídio conta o mito grego de Aracne, mas chama a deusa de Minerva (leia aqui), e Virgílio faz de Eneias, antepassado dos fundadores de Roma, filho de Vênus. Alguns deuses romanos nem tinham par grego, como Jano, o deus das portas, de duas faces, que deu nome a janeiro.
Os deuses na semana
Em espanhol, quatro dias da semana ainda levam nomes de deuses romanos: martes (Marte), miércoles (Mercúrio), jueves (Júpiter) e viernes (Vênus). O português foi por outro caminho e trocou os deuses por números, de segunda a sexta-feira. O sábado veio do hebraico, o domingo do latim cristão, e Saturno ficou só no Saturday do inglês. E por séculos a literatura em português também preferiu os nomes latinos: Camões, nos Lusíadas, põe Júpiter, Vênus e Baco para discutir a viagem de Vasco da Gama.
Por que os planetas têm nomes romanos
Os cinco planetas visíveis a olho nu ganharam nomes de deuses muito antes do telescópio. Os astrônomos gregos os chamavam de astros de Hermes, Afrodite, Ares, Zeus e Cronos. Os romanos traduziram esses nomes para Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, e o latim continuou sendo a língua da ciência europeia por mais de mil anos. E faz sentido: o planeta gigante leva o nome do rei, e o seguinte, o do pai dele. Os astrônomos mantiveram o costume nas novas descobertas: Netuno em 1846 e Plutão em 1930, nome sugerido por uma menina inglesa de onze anos, Venetia Burney.
Urano, a exceção grega
Um planeta quebra a regra. William Herschel o descobriu em 1781 e queria homenagear o rei Jorge III. O astrônomo alemão Johann Elert Bode propôs Urano: o grego Ouranos, o Céu, pai de Cronos, e não o equivalente latino, Célio. A lógica sobe a árvore genealógica, de Júpiter a Saturno e a Urano: filho, pai e avô. Urano é o único planeta com nome de deus grego, e em 1789 emprestou o nome a um elemento recém-descoberto, o urânio.
Fontes
- Homero, Ilíada 15.187–193
- Ovídio, Metamorfoses 6.1–145 (Minerva e Aracne)
- Virgílio, Eneida 1
- Luís de Camões, Os Lusíadas (1572), canto I
- Jean Seznec, The Survival of the Pagan Gods (1940; tradução inglesa, 1953)