A resposta curta
Cerca de um milímetro, menor que um grão de pimenta-do-reino. É a semente da mostarda-preta, que nasce sozinha em volta do mar da Galileia e, numa única estação, vira um arbusto de até uns 3 metros. Jesus a chama de a menor de todas as sementes e diz que ela vira árvore: um provérbio para começos pequenos.
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A semente e a planta
Jesus fala do grão de mostarda duas vezes: uma para falar do Reino, numa parábola que Marcos, Mateus e Lucas contam, e outra para falar da fé.
O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem pegou e semeou em seu campo, que, de fato, é a menor de todas as sementes. Mas, quando cresce, torna-se maior do que as plantas da horta e vira uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e se aninham em seus ramos.
A planta é quase certamente a mostarda-preta, que ainda nasce sozinha na beira do lago. As sementes, redondas e escuras, têm cerca de um milímetro. É uma planta anual: semeada na horta, passa da altura de um homem numa única estação e pode chegar a uns 3 metros, mais alta do que tudo o que cresce em volta. É parente das sementes que viram o molho de mostarda que a gente conhece.
É mesmo a menor semente?
Não. Sementes de orquídea são finas como pó, e muitas plantas têm sementes menores que as de mostarda. Mas Jesus não está dando aula de botânica. No mundo dele, o grão de mostarda era a coisa pequena por excelência, e ele usa a imagem do mesmo jeito para falar da fé.
se vocês tiverem fé como um grão de mostarda, dirão a este monte: ‘Mova-se daqui para lá’, e ele se moverá; e nada será impossível para vocês.
Em Lucas, a fé do tamanho de um grão de mostarda arranca uma árvore e a planta no mar (Lucas 17:6). São exageros de propósito: a menor fé, o maior resultado. Daí vem a expressão que tanto brasileiro repete, a fé do tamanho de um grão de mostarda.
Uma árvore?
Marcos é o mais cuidadoso. A semente se torna “maior do que todas as hortaliças, e produz grandes ramos” (Marcos 4:32). Mateus e Lucas falam em árvore, e é de árvore que a história precisa. Nos profetas, uma grande árvore cheia de pássaros é a imagem de um reino poderoso: o cedro que Deus planta no monte alto de Israel, e a árvore do sonho de Nabucodonosor, onde “as aves do céu habitavam em seus ramos” (Daniel 4:12).
Pássaros de toda espécie habitarão à sombra de seus galhos.
Jesus pega a imagem emprestada e troca a árvore. O Reino de Deus não começa como um cedro do Líbano, mas como uma planta de horta que nasce de um pontinho. Muitos leitores percebem um sorriso aí.
Que mostarda era essa?
A identificação mais aceita é a mostarda-preta, Brassica nigra, hoje muitas vezes classificada como Rhamphospermum nigrum. Ela bate com todos os detalhes: semente minúscula, crescimento rápido, altura que deixa as outras plantas da horta para trás. O homem de Mateus semeia no campo, e o de Lucas na própria horta (Lucas 13:19), mas em todas as versões é uma hortaliça, não uma árvore de floresta. O Evangelho de Tomé também conta a parábola (dito 20): a semente cai em terra lavrada e vira abrigo para as aves. A comparação está em O Evangelho de Tomé tem as mesmas parábolas da Bíblia?
Começos pequenos
Em Mateus 13, o grão de mostarda vem junto com uma pitada de fermento escondida em três medidas de farinha, pão para umas cem pessoas. As duas histórias dizem a mesma coisa: algo minúsculo, quase invisível, pode acabar tomando conta de tudo. Para um punhado de pescadores da Galileia seguindo um mestre de aldeia, era uma promessa.
Fontes
- Mateus 13:31–33; Marcos 4:30–32; Lucas 13:18–21
- Mateus 17:20; Lucas 17:6
- Ezequiel 17:22–24; 31:6; Daniel 4:10–12
- Evangelho de Tomé, dito 20
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.