A resposta curta
Ronald Reagan, num discurso no Portão de Brandemburgo, em Berlim Ocidental, em 12 de junho de 1987. Dirigindo-se ao líder soviético, ele disse: “Sr. Gorbachev, abra este portão! Sr. Gorbachev, derrube este muro!” Alguns assessores dele tinham tentado cortar a frase. O Muro se abriu 29 meses depois, em 9 de novembro de 1989.
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O discurso no portão
Ronald Reagan chegou a Berlim Ocidental em 12 de junho de 1987, ano em que a cidade comemorava 750 anos. Discursou às 14h20, diante do Portão de Brandemburgo, com o Muro às costas e um vidro à prova de balas à frente, e disse ao público que sabia que o discurso também estava sendo ouvido no Leste. Não era o primeiro presidente americano a fazer do Muro um palco: 24 anos antes, Kennedy tinha ido lá com quatro palavras em alemão. Reagan também abriu em alemão, com o verso de uma canção conhecida sobre a cidade, Ich hab noch einen Koffer in Berlin (ainda tenho uma mala em Berlim), e com uma frase para as duas metades da cidade, Es gibt nur ein Berlin (só existe uma Berlim).
No meio do discurso, ele se voltou para o líder soviético:
Secretário-geral Gorbachev, se o senhor busca a paz, se busca a prosperidade para a União Soviética e o Leste Europeu, se busca a liberalização: venha até este portão! Sr. Gorbachev, abra este portão! Sr. Gorbachev, derrube este muro!
A frase que a equipe queria cortar
No original em inglês, a frase é “tear down this wall!”. Ela foi escrita poucas semanas antes por um jovem redator de discursos, Peter Robinson. Conforme os rascunhos circulavam, funcionários do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional reclamaram: achavam a frase provocadora, temiam constranger Gorbachev justo quando as relações melhoravam e insistiram para que fosse amenizada ou cortada. Reagan não abriu mão dela.
Perto do fim, ele leu uma pichação que tinha acabado de ver no Muro, do alto do Reichstag: “Este muro vai cair. Crenças viram realidade.” Na época, o discurso chamou menos atenção do que chama hoje. Ficou famoso depois de 1989, quando o Muro caiu de fato.
O que Gorbachev disse
Gorbachev não derrubou o Muro, mas mudou as regras em volta dele. Num discurso nas Nações Unidas, em 7 de dezembro de 1988, afirmou que cada nação tinha o direito de escolher o próprio caminho. Numa entrevista coletiva em Bonn, em 15 de junho de 1989, perguntaram a ele sobre o Muro. Ele disse que o Muro tinha surgido de um momento histórico específico e que “o Muro pode desaparecer quando deixarem de existir as condições que o originaram”. E completou: “Não vejo um grande problema aqui.”
Naquele outono, ele manteve os tanques soviéticos nos quartéis enquanto a Alemanha Oriental desmoronava. Em 9 de novembro, os portões se abriram, não por ordem de Moscou, mas por causa de um anúncio atrapalhado e da decisão de um oficial num posto de fronteira.
O discurso derrubou o Muro?
Os admiradores de Reagan veem a frase como parte de uma pressão mais ampla, junto com o rearmamento americano, a retórica dura e as negociações firmes com Moscou, que convenceu os dirigentes soviéticos de que o bloco não ia se sustentar. Muitos historiadores dão mais peso à recusa de Gorbachev em usar a força, à abertura da fronteira da Hungria e às multidões que marcharam em Leipzig e em Berlim Oriental em 1989.
Os registros permitem algumas afirmações simples. Reagan pediu a queda do Muro em público, diante dele. Gorbachev nunca mandou derrubá-lo, mas se recusou a salvá-lo pela força. E quem enfim o abriu foram alemães orientais: um porta-voz que não tinha sido informado, uma multidão numa ponte e um oficial que abriu um portão. Seis meses depois do discurso, Reagan e Gorbachev assinaram o Tratado INF, que eliminou uma categoria inteira de mísseis nucleares. Reagan morreu em 2004; Gorbachev, em 2022.
Fontes
- Ronald Reagan, discurso sobre as relações Leste-Oeste no Portão de Brandemburgo, Berlim Ocidental, 12 de junho de 1987 (Biblioteca Presidencial Ronald Reagan)
- Mikhail Gorbachev, entrevista coletiva, Bonn, 15 de junho de 1989 (arquivo da Fundação Gorbachev; National Security Archive)
- Mikhail Gorbachev, discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, 7 de dezembro de 1988
- James Mann, The Rebellion of Ronald Reagan: A History of the End of the Cold War (2009)