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Quem foi o profeta Daniel?

A resposta curta

Daniel foi um jovem nobre de Judá levado para a Babilônia por volta de 605 a.C., rebatizado de Beltessazar e preparado para servir ao rei. O livro o mostra decifrando sonhos de Nabucodonosor, lendo a escrita na parede e saindo vivo da cova dos leões, até o tempo de Ciro. Os seis últimos capítulos trazem as visões dele.

Revisado em

Um cativo na corte do rei

O livro de Daniel começa com a Babilônia levando a elite jovem de Jerusalém: rapazes de família real e nobre, sem defeito, para três anos de estudo da língua e da literatura dos caldeus (Daniel 1:3–4). Daniel é um deles, e a primeira coisa que a Babilônia lhe tira é o nome.

Ora, entre estes, dos filhos de Judá, estavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias. O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes: a Daniel ele deu o nome de Beltessazar; a Hananias, Sadraque; a Misael, Mesaque; e a Azarias, Abede-Nego.

Daniel 1:6–7

Daniel quer dizer “Deus é meu juiz”. Beltessazar, explica Nabucodonosor, foi dado “segundo o nome do meu deus” (4:8), e os estudiosos o ligam a uma expressão babilônica que significa “protege a vida do rei”. Cuidado para não confundir com Belsazar, o governante que viu a escrita na parede: os nomes são quase iguais, mas os homens são dois. Daniel aceitou o nome novo e traçou o limite em outro lugar. Recusou a comida e o vinho do rei e venceu um teste de dez dias só com legumes e água.

Pelo que ele é lembrado

  • Sonhos. Conta a Nabucodonosor o sonho e o significado: uma estátua de ouro, prata, bronze e ferro sobre pés de ferro e barro (Daniel 2). O rei o põe à frente da província da Babilônia.
  • A árvore. Avisa o rei de que o orgulho vai lhe custar a razão (Daniel 4), uma história com um mistério à parte.
  • A parede. Já velho, lê MENE, MENE, TEQUEL, UFARSIM no banquete de Belsazar (a escrita na parede).
  • Os leões. Continua orando voltado para Jerusalém, contra um decreto real, e passa uma noite na cova (por que foi jogado lá).
  • As visões. Os capítulos 7 a 12 vêm em primeira pessoa: quatro feras saindo do mar, “alguém como um filho do homem” vindo com as nuvens (7:13), as setenta semanas e a promessa mais clara de ressurreição da Bíblia hebraica (12:2).

A fornalha ardente, que muita gente atribui a ele, é dos três amigos; Daniel nem aparece no capítulo 3.

Uma carreira de sessenta anos

Uma frase resume a vida dele: “Daniel permaneceu ali até o primeiro ano do rei Ciro” (1:21). Se chegou adolescente à Babilônia em 605 a.C., tinha uns oitenta anos quando a cidade caiu diante da Pérsia, em 539 a.C. Serviu Nabucodonosor, viu o império acabar numa noite e voltou a subir com os novos senhores. Sobreviveu a todas as trocas de regime.

O outro Daniel

O profeta Ezequiel, exilado na Babilônia na mesma época, cita um Daniel três vezes.

ainda que estes três homens, Noé, Daniel e Jó, estivessem nela, eles livrariam apenas as suas próprias almas pela sua justiça

Ezequiel 14:14

Também zomba do rei de Tiro dizendo “você é mais sábio que Daniel” (Ezequiel 28:3). Leitores tradicionais entendem que é o Daniel da Babilônia, já famoso. Muitos estudiosos observam que Ezequiel escreve o nome como Dan’el, e que tabuinhas de barro de Ugarit, na Síria, falam de um antigo rei justo chamado Danel. Um herói da justiça ao lado de Noé e Jó pode ser essa figura mais antiga.

Além do livro hebraico

As Bíblias católicas trazem capítulos a mais, em grego: Susana, em que o jovem Daniel desmascara dois anciãos mentirosos num julgamento, e Bel e o Dragão, com uma segunda noite entre leões. A maioria dos estudiosos data a forma final do livro nos anos 160 a.C.; os leitores tradicionais atribuem o livro ao próprio Daniel (quando Daniel foi escrito). O túmulo tradicional dele fica em Susã, no atual Irã, sob uma cúpula branca e alta, e ainda recebe peregrinos.

Fontes

  • Daniel 1:1–21; 2:1–49; 4:8; 5:1–31; 6:1–28; 7:13; 12:2
  • Ezequiel 14:14, 20; 28:3
  • Poema ugarítico de Aqhat (Danel), tabuinhas de Ras Shamra
  • Susana; Bel e o Dragão (acréscimos gregos a Daniel)
  • John J. Collins, Daniel (Hermeneia, 1993)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.