A resposta curta
Trajano foi imperador romano de 98 a 117 d.C. e o primeiro nascido fora da Itália, em Itálica, perto de Sevilha, na Espanha. Soldado de carreira, conquistou a Dácia, atual Romênia, e marchou até o golfo Pérsico, levando o império à maior extensão que já teve. Encheu Roma de obras, e o Senado o chamou de Optimus, “o melhor”.
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Um soldado da Hispânia
Marco Úlpio Trajano nasceu em 18 de setembro de 53 d.C., em Itálica, cidade romana perto da atual Sevilha, fundada por Cipião Africano para soldados feridos. A família tinha vindo da Itália havia gerações, mas até então nenhum imperador nascera nas províncias. O pai chegou a cônsul e governador da Síria, e o filho cresceu em acampamentos militares, até comandar uma legião. Em 97 ele governava a Germânia Superior, no Reno, quando chegou a notícia que mudaria tudo.
Imperador por adoção
Domiciano tinha sido assassinado em 96, e o Senado pôs no trono um senador idoso, Nerva. Quando a Guarda Pretoriana se rebelou, Nerva precisou de um general respeitado pelas legiões. Em outubro de 97 adotou Trajano como filho e, três meses depois, morreu. Trajano, aos 44 anos, não correu para Roma: antes, inspecionou as fronteiras do Reno e do Danúbio. Quando enfim entrou na cidade, em 99, veio a pé, cumprimentando os senadores de igual para igual. Plínio, o Jovem, descreveu a cena no Panegírico, o discurso de agradecimento que fez como cônsul em 100.
A Dácia, a ponte e a Coluna
Ao norte do baixo Danúbio, o rei dácio Decébalo tinha arrancado de Domiciano uma paz humilhante. Trajano lutou contra ele duas vezes, em 101–102 e em 105–106. Entre uma guerra e outra, o arquiteto Apolodoro de Damasco ergueu sobre o rio uma ponte de mais de um quilômetro, e restos dos pilares ainda se veem em Drobeta-Turnu Severin. Em 106 Decébalo se matou para não ser capturado, e a Dácia virou província. O ouro de lá ajudou a pagar jogos que duraram 123 dias e um fórum novo e enorme em Roma.
No meio desse fórum está a Coluna de Trajano, inaugurada em 113. Uma faixa de relevos de uns 190 metros sobe em 23 voltas por um fuste de 100 pés romanos, cerca de 30 metros, com umas 2.500 figuras que constroem fortes, atravessam rios e combatem. A inscrição da base diz que a coluna marca a altura do morro escavado para abrir espaço ao fórum. As cinzas de Trajano foram depositadas ali. Desde a década de 1580, quem está lá em cima é uma estátua de São Pedro.
Por que a Romênia tem esse nome
Romênia quer dizer “terra dos romanos”, e o romeno é uma língua neolatina, irmã do português, do espanhol e do italiano (as línguas que vêm do latim). Muitos romenos ligam as duas coisas à conquista de Trajano e aos colonos que vieram com ela. A história real é menos arrumada. Roma ficou com a Dácia só uns 165 anos e saiu de lá com Aureliano, nos anos 270, e os historiadores ainda discutem como o latim sobreviveu ao norte do Danúbio. Os romenos honram os dois lados da guerra, Trajano e Decébalo, e o Museu Nacional de História, em Bucareste, expõe uma cópia completa dos relevos da Coluna.
Optimus, o melhor
Em Roma, Trajano construiu e distribuiu. O fórum dele, com uma basílica imensa, bibliotecas grega e latina e os mercados na encosta ao lado, era o mais grandioso da cidade. Abriu em Portus, o porto novo junto a Óstia, uma bacia hexagonal para os navios de trigo e pagou pensões a crianças pobres das cidades italianas. As cartas trocadas com Plínio, governador da Bitínia, mostram um imperador atento a tudo, de um corpo de bombeiros que ele proibiu em Nicomédia aos cristãos, que não deviam ser caçados nem condenados por denúncia anônima (o que Plínio perguntou). Em 114, o Senado oficializou o título que já usava para ele: Optimus, o melhor.
A guerra contra os partos o levou ao golfo Pérsico em 116, mas revoltas estouraram na retaguarda (até onde o império chegou). Na volta, sofreu um derrame e morreu em Selinus, na Cilícia, costa sul da atual Turquia, em agosto de 117, aos 63 anos. O sucessor foi o pupilo Adriano, numa adoção que alguns diziam ter sido arranjada depois da morte. No século IV, o Senado ainda saudava cada novo imperador com um voto: que fosse mais afortunado que Augusto e melhor que Trajano. Dante foi além e o pôs no Paraíso.
Fontes
- Cássio Dio, História Romana 68.3–33 e 69.1
- Plínio, o Jovem, Panegírico 20–23 e Cartas 10.33–34, 10.96–97
- Eutrópio, Breviário 8.2–5
- Coluna de Trajano, Roma (113 d.C.), e a inscrição da base (CIL VI 960)
- Dante, A Divina Comédia, Paraíso 20
- Julian Bennett, Trajan: Optimus Princeps (1997)